Rio Grande do Sul comemora “a safra das safras” de uvas 

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O Rio Grande do Sul, maior produtor de uvas do Brasil, registra uma colheita que já está sendo chamada de “safra das safras”. A combinação de condições climáticas favoráveis, boa produtividade e qualidade excepcional consolidou a safra 2024/25 como uma das melhores dos últimos cinco anos.

A previsão inicial para a safra era de 700 mil toneladas de uvas para vinhos e outras bebidas, mas o volume final está superando as expectativas, alcançando cerca de 750 mil toneladas, segundo o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS). Aumento de 38,5% em relação a 2024, quando a vindima, período de colheita das uvas, encerrou com 541 mil toneladas.

A Serra Gaúcha é responsável por cerca de 90% da produção de uvas no estado. Deste montante, 85% são de variedades destinadas à fabricação de vinhos de mesa e sucos, enquanto os 10% restantes são para vinhos finos. 

Na região da Campanha Gaúcha, o volume final da colheita ultrapassou 12 mil toneladas em 1,6 mil hectares cultivados, segundo a Emater/RS-Ascar. São 14 municípios produtores monitorados pela Emater, a maioria dos parreirais é de uvas especiais para produção de vinhos finos. “Essa safra destaca-se pela alta qualidade dos frutos, gerando grande demanda das vinícolas da Serra Gaúcha”, explica Edison Dornelles, extensionista rural e assistente técnico regional da Emater em Bagé. Nessas duas regiões produtoras, a colheita já está finalizada.

Segundo último levantamento da Emater/RS-Ascar de 13 de março, as regiões de Passo Fundo e Pelotas ainda tinham trabalhos da vindima em andamento.   

Produção recorde e qualidade superior

Contraditoriamente, a estiagem, que começou em dezembro de 2024, e já causa problemas em 49% dos municípios gaúchos, foi um dos fatores determinantes para a boa safra de uvas no estado. Luciano Rebellatto, produtor e presidente do Consevitis-RS, destaca que a falta de chuvas nesse período beneficiou a viticultura. “Resultou em uvas de excelente qualidade, com mais açúcar, sabor e aroma. Isso tudo se transfere para os sucos, vinhos e espumantes”, explicou ao Agro Estadão. Segundo ele, a graduação Brix média — que mede o teor de açúcar das frutas — aumentou pelo menos 2% em comparação com 2024. “A safra deste ano é superior à de 2020, que já foi considerada uma grande safra. Podemos dizer que 2025 é realmente a safra das safras”, afirma Rebellatto.

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Foto: Siderlei Ditadi/Consevitis-RS

Para Jurandir Nosini, enólogo da Cooperativa Vinícola Aurora, o impacto positivo das condições climáticas será sentido em todos os produtos, do suco aos espumantes. “Os vinhos tintos desta safra se destacarão pela intensidade da cor e pela estrutura robusta. Já os brancos, como o Chardonnay, apresentam aromas finos e elegantes, ideais para bases de espumante”, afirmou. Os últimos parreirais dos 1.100 associados da Cooperativa foram colhidos na segunda semana de março, totalizando 71,6 milhões de quilos de uva, volume 42% superior ao da vindima de 2024 (50,3 milhões de quilos). 

O diretor da Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), Darci Dani, disse em nota, que espera que esta safra convença o consumidor local e internacional a respeito da qualidade do produto brasileiro. “A nossa perspectiva é que o mercado neste ano se amplie e tenhamos um ano com um bom aumento na comercialização de produtos vitivinícolas, dada a qualidade da safra, uma das melhores que já colhemos”, projeta Dani.

Colheita antecipada

A estiagem também antecipou o período de colheita em cerca de 20 dias na Serra Gaúcha. “Foi uma safra mais curta e concentrada. Variedades precoces e tardias amadureceram quase juntas, tornando o processo mais rápido”, explicou o presidente do Consevitis-RS. Ele também destacou que a estiagem reduziu significativamente a incidência de pragas: “Sem chuva, não tivemos problemas com fungos ou outras doenças. Isso permitiu que as uvas permanecessem nos vinhedos até atingirem o ponto ideal, comenta.”

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Foto: Anderson Pagani/Aurora

Estabilidade nos preços ao consumidor

Apesar da alta produtividade, os preços ao consumidor devem permanecer estáveis, projeta o Consevitis-RS. No entanto, o valor pago aos produtores sofreu uma leve redução entre 10% e 15%, variando entre R$ 1,80 e R$ 2,00 por quilo para as variedades comuns. O preço mínimo estabelecido pela Conab é de R$ 1,69. “Com uma safra tão abundante, era esperado esse pequeno recuo nos preços”, explicou Rebellato.

Os produtos desta safra já começam a chegar ao mercado. Os lotes de sucos integrais da Aurora estão sendo colocados à venda. A bebida é responsável por 60% das vendas da cooperativa. “Os sucos tinto e o branco já são consagrados pelos clientes. Estamos iniciando a produção experimental de suco rosé. A produção ainda é em pequena escala, mas acreditamos no potencial desse produto”, explica o enólogo Jurandir Nosini. 

Vinhos jovens e espumantes devem ser lançados nos próximos cinco meses; enquanto os tintos mais encorpados levarão até dois anos para serem comercializados.

Nosini reforçou as expectativas: “os consumidores podem esperar produtos excepcionais desta safra histórica. Vale muito a pena aguardar pelos vinhos que estão por vir”.

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