A gasolina E30, que mistura maior quantidade de etanol no combustível (30%), foi aprovada na última semana para chegar o mais rápido possível nas bombas de abastecimento brasileiras. O Instituto Mauá de Tecnologia foi o responsável pela viabilização científica do novo combustível e também por relatar todos os dados obtidos nos testes de certificação. Segundo laudos, algumas motocicletas apresentaram dificuldades pontuais, mas os especialistas responsáveis afirmaram que o condutor não sofrerá com a mudança.
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Os dados trazidos pelo Instituto Mauá relataram que 13 motocicletas, carburadas e injetadas diretamente, de pequenos e médios motores, e fabricadas entre os anos de 2004 e 2024, foram testadas para validação da nova gasolina E30 e também com a até então utilizada, E27 (27% de etanol).
- Para validar o novo combustível com mistura de 30%, o Instituto testou os modelos com uma mistura com ainda mais concentração de etanol, a E32 (32%).
Dentre estas, os resultados que mais impactaram foram os de dois modelos carburados, um de 125 cm³ e outro de 150 cm³. Estas apresentaram dificuldades nos testes de aceleração livre (125) e estabilidade de marcha lenta (150) com o novo combustível.
Motos carburadas (D01 a D06) apresentam menos repetibilidade nos resultados; demandam a manipulação do afogador e do acelerador durante a partida, estabilização da marcha lenta e aceleração livre.”, documentou o Instituto.
Em entrevista ao AutoPapo, o Gerente do Laboratório de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, Professor Renato Romio, esclareceu os dados apresentados no estudo.
Segundo o Professor, os resultados apresentados pelos modelos não serão perceptíveis pelos condutores, pois são muito semelhantes aos obtidos em comparação a gasolina atual.
Vimos que elas eram mais difíceis de pegar nas partidas a frio, mas vimos isso com os dois combustíveis. Quer dizer, não é que o aumento de teor de etanol vai mudar a condição da motocicleta. Atualmente as motocicletas já são mais ‘enjoadas’ que os carros no clima frio. Isso costuma ser uma característica da motocicleta e não do combustível. Em resumo, não detectamos que isso é causado pelo combustível, porque isso também apareceu com a gasolina atual.”, afirmou o Professor.
Analisando rigorosamente os gráficos divulgados pelo instituto, é possível perceber que os dois modelos já destacados apresentaram dificuldades significativas nas três tentativas realizadas pelos pesquisadores, considerando testes específicos.
Mesmo com estes resultados, o Professor afirma que nenhuma das motos deixou de funcionar ou deu continuidade nos transtornos, dessa forma sendo ínfima a relevância dos problemas.
- Os testes de partida a frio são caracterizados como tentativas de ligar a moto considerando uma temperatura de 0 ºC.
Tem alguma característica que impeça a utilização da moto? Não! O piloto não vai sentir diferença na utilização. Teria que dar uma ‘esquentadinha’ em ambos os combustíveis.”, enfatiza o especialista.
O professor também esclarece que as motos antigas, carburadas, já apresentam essa dificuldade na hora da partida ou estabilização em marcha lenta e na prática nada mudará para o condutor.
As motos mais antigas, com carburador, essa característica são mais acentuada – considerando os dois combustíveis em teste. Já as mais novas, uma ou outra apresentaram este problema.”, continua Romio.
Renato Romio finalizou abordando também a preocupação dos condutores com o aumento no consumo e destacou que os testes realizados pelo instituto apontam que, com a gasolina E30, poucos modelos tiveram aumento de 1% no consumo – valor que pode ser desconsiderado pela margem de erro percentual das máquinas de testes.
- Seguindo os trâmites para sua validação, a nova gasolina E30 deve chegar às bombas de abastecimento brasileiro nas próximas semanas.