
Que a natureza é abundante todos sabemos, mas nem tudo que vem da terra é adequado para o consumo. Frutos não comestíveis são aqueles que, por diversas razões, não são apropriados para o consumo humano ou animal.
Eles podem conter substâncias tóxicas, ter características físicas que os tornam impróprios para digestão ou simplesmente não oferecer valor nutricional.
A distinção entre frutos comestíveis e não comestíveis é importante, especialmente em propriedades rurais, onde o contato com uma grande variedade de plantas é comum.
Por que alguns frutos não podem ser consumidos?
A natureza é sábia e, ao longo de milhões de anos de evolução, as plantas desenvolveram mecanismos de defesa contra predadores. Um desses mecanismos é a produção de compostos tóxicos em suas folhas, caules e, principalmente, em seus frutos.
Essa toxicidade natural serve como uma barreira química, desencorajando o consumo por animais e, consequentemente, protegendo as sementes da planta.
Os mecanismos de defesa das plantas são variados e fascinantes. Algumas produzem alcaloides, substâncias amargas que causam desconforto quando ingeridas. Outras sintetizam compostos que interferem no sistema nervoso ou digestivo dos animais.
Há ainda aquelas que armazenam cristais microscópicos em seus tecidos, capazes de causar irritação física.
Frutos não comestíveis específicos
Mamona

A mamona (Ricinus communis) é uma planta notória por suas sementes altamente tóxicas, mas também valorizada por sua importância industrial. Originária da África, essa planta se adaptou bem a diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil, onde é cultivada em larga escala.
A toxicidade da mamona se deve principalmente à ricina, uma proteína extremamente venenosa presente em suas sementes. A ingestão de somente algumas sementes pode ser fatal para humanos e animais.
Os sintomas de envenenamento por mamona são severos e incluem dores abdominais intensas, vômitos, diarreia, desidratação e, em casos graves, falência de múltiplos órgãos.
O manuseio da mamona requer cuidados especiais. Produtores e trabalhadores envolvidos em seu cultivo devem usar equipamentos de proteção individual, evitar o contato direto com as sementes e estar cientes dos procedimentos de emergência em caso de exposição acidental.
É crucial manter a planta longe de áreas onde crianças e animais possam ter acesso e garantir que as sementes não sejam confundidas com alimentos comestíveis.
Saia-branca

A saia-branca (Datura suaveolens), também conhecida como trombeteira ou zabumba, é uma planta ornamental que esconde um segredo perigoso por trás de sua beleza. Originária da América do Sul, essa planta é apreciada por suas grandes flores brancas em forma de trombeta, que exalam um perfume doce e intenso, especialmente à noite.
Botanicamente, a saia-branca pertence à família Solanaceae, a mesma do tomate e da batata. Seu fruto é uma cápsula espinhosa que, quando madura, se abre para liberar numerosas sementes pretas.
Toda a planta, incluindo o fruto, contém alcaloides tóxicos, principalmente escopolamina e atropina, que podem causar alucinações, desorientação e efeitos cardiovasculares graves.
A toxicidade da saia-branca a torna particularmente perigosa em ambientes domésticos e rurais. Os sintomas de envenenamento incluem dilatação das pupilas, boca seca, taquicardia, alucinações e, em casos severos, coma e morte.
Briônia

A briônia (Bryonia dioica), também conhecida como nabo-do-diabo, é uma trepadeira perene nativa da Europa e Ásia Ocidental, mas que se espalhou para outras partes do mundo.
Embora menos comum no Brasil, é importante conhecê-la devido à sua alta toxicidade e à possibilidade de confusão com outras plantas trepadeiras.
Os componentes tóxicos da briônia incluem glicosídeos triterpênicos, especialmente a brionina. Estas substâncias estão presentes em toda a planta, mas são particularmente concentradas nas raízes e nos frutos.
Os frutos da briônia são pequenas bagas vermelhas que podem ser atraentes para crianças e animais, aumentando o risco de ingestão acidental.
O envenenamento por briônia pode causar uma série de sintomas graves. Inicialmente, a pessoa intoxicada pode experimentar irritação intensa na boca e garganta, seguida de náuseas, vômitos e diarreia severa.
Em casos mais graves, podem ocorrer convulsões, paralisia e até mesmo falência renal. A toxicidade da planta é tão significativa que até mesmo o contato com a pele pode causar irritações e bolhas.
Cereja de Jerusalém

A cereja de Jerusalém (Solanum pseudocapsicum), também conhecida como laranjinha-de-jardim ou tomate-de-árvore, é uma planta ornamental que frequentemente causa confusão devido à sua semelhança com frutas comestíveis.
Originária da América do Sul, esta planta se espalhou globalmente como decorativa, mas seu fruto esconde perigos significativos.
A cereja de Jerusalém é um arbusto pequeno que produz frutos redondos e brilhantes, geralmente de cor laranja ou vermelha, muito semelhantes a pequenos tomates ou cerejas. Esta semelhança é enganosa e perigosa, pois os frutos contêm solanina e outros alcaloides tóxicos.
As razões para não consumir a cereja de Jerusalém são claras: sua ingestão pode levar a sintomas graves de intoxicação. Diferentemente das cerejas comestíveis, que são doces e nutritivas, os frutos da cereja de Jerusalém são amargos e potencialmente letais se consumidos em grande quantidade.
Os riscos à saúde associados ao consumo deste fruto incluem:
- distúrbios gastrointestinais severos;
- febre e sudorese excessiva;
- dilatação das pupilas e visão turva;
- em casos graves, depressão do sistema nervoso central e problemas respiratórios.
Medidas Preventivas
Além das orientações que já apresentamos acima, aqui vão algumas dicas de prevenção de uma cartilha do Ministério da Saúde sobre os plantas não comestíveis:
- Ensine as crianças a não colocar plantas na boca e não as utilizar como brinquedos;
- Não prepare remédios ou chás caseiros com plantas sem orientação médica;
- Não coma folhas e raízes desconhecidas. Lembre-se: não há regras ou testes seguros para distinguir as plantas comestíveis das venenosas. Nem sempre o cozimento elimina a toxicidade da planta;
- Tome cuidado ao podar as plantas que liberam látex, provocando irritação na pele, principalmente nos olhos; use luvas e lave bem as mãos após esta atividade;
- Em caso de acidente, procure imediatamente orientação médica e guarde a planta para identificação;
Ficou com dúvida? Ligue para o Centro de Intoxicações de sua região. Aqui está uma lista — fornecida pelo governo federal — com os contatos por estados.
Por fim, lembre-se sempre: a melhor abordagem é evitar o consumo de frutos desconhecidos e buscar a orientação de especialistas.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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